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Um pouco de mim...

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Dia 6 - Fés a Auberge Tislit (Imilchil)

Eram 9h15 e como era habitual, estávamos de volta dos carros a certificar que estava tudo ok para mais uma etapa em solo Marroquino. Estava um dia cinzento, e apesar de não ser tão bonito estava um dia óptimo para fazer a viagem! A passagem por Ifrane revelou-se encantadora e surpreendente aos nossos olhos, que não estavam a espera de ver uma autêntica cidade Suíça em Marrocos. Com uma pequena paragem para fotos, entre as quais uma particular aos 200mil kms feitos pelo Discovery do Miguel, avançamos pois o dia era ainda uma criança. Alguns kms mais a frente iniciamos o track que nos leva para dentro da Floresta dos Cedros, onde podemos nos deslumbrar com a altura dos mesmos. Deixo umas fotos para vocês.
À saída somos confrontados com uma situação caricata! O track do GPS leva-nos para um lago e, supostamente devemos atravessa-lo, ou pelo menos tentar! :) Acontece que muito provavelmente quando o track foi feito, o lago estaria muito mais vazo, mas com a intensidade das chuvas deste ano subiu impossibilitando a sua passagem. A solução foi como é óbvio contornar o lago indo ao alcance do track mais à frente! O almoço foi feito a certa de duas centenas de metros da estrada principal, num local tranquilo onde reinava a tranquilidade e algum vento, eheheh! Depois do habitual cafézinho lá seguimos viagem.

O objectivo era chegar aos Lago Tislit e acampar junto do mesmo. Uma situação que, tinha tanto de arriscada como de aventureira visto nenhum conhecer a zona o que nos dava alguma "pica". Infelizmente o percurso foi demasiado demorado e chegamos à zona do lago já noite cerrada e lá fora uns 9graus de temperatura. Foi ai que decidimos que aliado ao frio, a instabilidade do terreno, e quanto mais não fosse, pelo facto de não termos a noção se estaríamos a invadir um campo cultivado o ideal era ficar no Auberge mais próximo. De volta a estrada e cerca de 1,3km lá estava um.. o Auberge Tislit! Após dialogo entre eu, o Marco e a dona do Auberge negociamos a estadia e o pequeno-almoço por 130MAD por pessoa (13€). Meus amigos aqui aconselho a escolher a estadia com o jantar.. todos ficamos a salivar por aquela massa que o casal francês que já lá estavam alojados. Depois de um jantar oriundo da nossa logística acabamos por nos recolher pouco depois das 23h... Hoje o dia foi basicamente asfalto e fazer km's para chegar ao nosso objectivo.. Erg Chebbi



domingo, 21 de junho de 2009

Dia 5 - Fès

Esta obra tem no topo um globo, que representa o Mundo. Só o globo pesa 5 Toneladas e gira sobre si mesmo! Situa-se numa das principais avenidas de Fès.

O dia de hoje teve início às 9h00 com o encontro com o guia à entrada do parque, que logo surpreendeu pois o combinado era um guia que falasse inglês, e não francês! Mas tudo se resolveu e o Ahlid que,além de funcionário do parque é também guia nacional e acompanhou-nos nesta visita a Fès. Partimos em direcção ao centro e começamos a rota pela zona judaica da cidade, onde alguns dos judeus após a expulsão da Europa se refugiaram. Aqui paramos para tomar um chã, que segundo o Ahlid é o verdadeiro chã tradicional de Marrocos e com a mesma intensidade que os locais tomam, uma vez que normalmente o turista bebe um mais fraco. Apesar de intenso, consegue-se beber com alguma facilidade, mas só um copo!! Mais pode-se tornar desagradável, mas gostos não se discutem! Entretanto Ahlid foi contando que naquela zona neste momento só existe mesmo comercio, uma vez que, há medida que as condições de vida iam mudando também a população ia saindo daquela zona partindo para áreas mais desenvolvidas. À saída fomos até ao Palácio do Rei onde ficamos maravilhados pela magnifica entrada das "7 Portas". Aqui ficamos a saber que cada artesão que trabalhou naquelas imponentes portas com um trabalhar minucioso apenas o fazia 2h por dia para descanso da mente! Ficam algumas fotos...

A próxima paragem deu-se no topo de uma colina onde antigamente era o quartel da polícia, hoje em ruínas dando uma perspectiva do tamanho da gigantesca Medina de Fès... São cerca de nove mil ruas! Ao longe a cidade nova de Fès.

A fabrica de cerâmica foi o próximo ponto de visita. Com processo de fabrico completamente artesanal podemos visitar todos os passos efectuados para o fabrico das louças, fontes e mesas típicas. As condições de trabalho não são certamente as que estamos habituados a ver e temos de dar valor a quem por cá trabalha... fica um pequeno vídeo...


video

O mais interessante é o processo de cozedura das peças. Dura 5 dias, sendo que um dia é para a colocação das peças no forno, outro para a cozedura em si, e os restantes para arrefecimento e retirada das peças. Como combustível utilizam apenas caroço de azeitona, que na minha opinião deve vir das cooperativas de azeite, visto que existem lá com abundância! A fome já apertava e assim sendo, entramos na Medina de Fès indo directos a um restaurante que o Ahlid nos aconselhou. Tradicional como sempre e com muitos tapetes pendurados na parede saboreamos uma vez mais a gastronomia marroquina pedindo 6 menus diferentes para petiscar um de cada! De barriguinha cheia lá fomos explorar a Medina onde começamos pela fabrica das peles onde, logo à entrada nos dão um ramo de hortelã. Depressa descobri o porque, visto que o cheiro além de desagradável é muito intenso e não dá muito jeito depois do almoço. Vimos os poços onde são tratadas as peles desde a lavagem à fixação das cores, e mais uma vez que condições de trabalho... Deus me livre!!! A visita à loja deu para experimentar uns casacos e para fazer a compra que a minha mãe tanto me pediu... um casaco! O processo de negociação foi demorado e posso dizer que nesta altura senti algum receio, quando sou chamado à parte para uma outra sala. Um piscar de olhos ao Miguel foi o suficiente para ele entender que queria que ficasse por perto e atento. Mas com tranquilidade o negocio fez-se e a minha mãe ficou contente! A visita à fabrica ficou-se por ai e o próximo ponto era uma cooperativa de tapetes berberes onde vimos o processo de fabrico dos mesmos. Raparigas em tenra idade, entenda-se entre 12 a 15 anos, faziam um tapete num patamar elevado para "turista ver", sempre sobre o olhar atento de um homem, como que a controlar! Escravidão?! Não sabemos, e penso que nunca iremos saber. A exploração da Medina levou-nos a dar uma vista de olhos pela mais antiga Universidade de Mundo idealizada por mulheres, segundo nos contaram. Não entramos e seguimos para as carpintarias da Medina onde estavam expostos trabalhos que cá nos fazem lembrar o Carnaval devido a sua excentricidade, mas que lá é normal a sua utilização nas casas mais fartas! Eram 18h30 e o cansaço já predominava. Regressamos ao parque, onde aproveitamos para repousar, actualizar os diários de bordo e houve quem desse um mergulhinho na piscina! À noite o serão foi passado com um café de cafeteira e mapa na mesa para organizar o dia seguinte. O percurso foi encurtado aos lagos Tislit e Islit em Imichil, visto que até Tamtattouchte era um percurso muito extenso! E que boa surpresa foi a noite em Tislit... até lá, fiquem bem!

terça-feira, 16 de junho de 2009

Dia 4 - De Chefchaouen a Fès

O dia começou pelas 8h00 com o despertar de todo o grupo na esperança do camaleão que também habitava no "nosso" auberge não se tivesse escondido em nenhum saco cama, na busca de mais algum conforto :) O pequeno almoço foi novamente servido no alpendre que nos dá a vista pela montanha que rodeia Oued Laou e acreditem, é muito tranquilizante! Com algumas referências do Daniel, prosseguimos para Chefchaouen. Lá o ambiente é muito bonito predominando o azul e o branco. Seguimos sozinhos pela pequena Medina desta vez, apesar dos esforços de alguns homens que nos abordavam e serpenteando as ruas lá fomos fazendo paragens aqui e ali sempre que algo despertava interesse ou aquele enquadramento para a foto era perfeito.


Numa dessas rua encontramos um pintor, com uma galeria de arte muito interessante, eu diria mesmo muito boa! Pinta em tela com aguarelas e ilustra maioritariamente locais ou passagens da vila! Ai comprei uma tela, que a minha mãe tanto me chateava para comprar cá para o quarto! Representa a praça principal com vista para a mesquita à noite... está muito bom mesmo!

Depois do negocio descemos e lá encontramos a tal praça que o quadro representa onde encontramos uma zona de restauração para todos os gostos, e os preços, sempre em conta... Decidimos fazer-nos à estrada visto que ainda havia uns kms a percorrer, e parávamos mais para a frente para almoçar. Foi nessa altura que uma caravana de Land's Ingleses cruzaram-se connosco e lá ia o veiculo ideal para expedições... uma 110 SW azul com a sua elegância e simplicidade que a caracteriza, simplesmente linda!!! Mas voltando à estrada lá seguimos em direcção a Fès onde chegamos sobre chuva que nos acompanhou na ultima parte do percurso, já o céu encoberto, bem esse acompanhou-nos a viagem toda. A procura do parque de campismo onde ficamos http://www.diamantvert.ma/ ainda foi demorada mas lá encontramos. É um parque de campismo agradável com muita sombra e zonas bem relvadas, onde não falta uma piscina para os mais calorentos. O único senão foi realmente o cheiro das casas de banho, e o azar de no dia seguinte o esquentador se ter avariado, fora isso é um bom local para ficar. Outro ponto a referir é que na recepção podemos contratar um guia para visitar Fès, que pode ser local ou nacional falando inglês, ou francês e claro árabe! Os preços variam consoante ser local ou nacional e o tempo, uma manha ou o dia inteiro. Contratamos um para o dia inteiro e ficou por 15€ entre todos! O final do dia, foi passado na montagem do acampamento e na janta, uma vez que depois disso o cansaço era evidente e o descanso era muito desejado!

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Dia 2 e 3 - De Algeciras a Chefchaouen

"Bom dia! Dormiram bem? Não!? Pois nem eu..." Além dos problemas que já falei do hotel, o colchão é mais um para acrescentar. Para aquelas pessoas que estão habituadas a um colchão ortopédico como o meu cá de casa esqueçam! Este era mole e as molas colam-se nas costas. Mas adiante, pois a ansiedade instala-se visto que a partida para barco esta breve e o Marco torce para que seja um xpto que ele tanto quer andar, e...é mesmo nesse que vamos! Conforme nos disseram às 10h30 estávamos prontos no ticket de entrega dos bilhetes para efectuar o check in do ferry. Pontuais estes espanhóis, 11h00 e o ferry parte em direcção a Ceuta! Devido ao calor, eu o meu compadre Miguel decidimos ficar numa mesa por debaixo do ar condicionado e meus amigos, nunca o façam! Após alguns minutos da partida e devido à agitação do barco (pouca mas relevante) a água do ar condicionado começa a cair para a mesa e por pouco não acerta do portátil do Miguel. 35 minutos depois estávamos em Ceuta, onde a primeira coisa que salta à vista é o preço do combustível... 0,622€!!!! EU QUERO VOLTAR PARA CEUTA!!! Agora a sério, é uma diferença enorme e estamos a falar de um posto da BP. Abastecemos os jipes e partimos para a fronteira e aqui é que fiquei um pouco aquém! Era a primeira vez que íamos e certos procedimentos desconhecíamos e como sempre os indivíduos que por lá deambulam querem ser sempre muito prestáveis e são tão insistentes que acabamos por usufruir de tamanha ajuda em troca de uns MAD - Dirham Moroccan, a moeda marroquina.

E aqui o segundo conselho: por muito que insistam convosco e digam que só querem ajudar, não cedam! A única coisa que eles fazem é levar-vos às cabines onde vocês têm que falar com os profissionais que lá trabalham para realizar os vistos dos passaportes e dos automóveis. Devido à gripe suína AH1N1, tivemos de passar primeiro no "Doctor" onde ficaram com os dados do passaporte e passar de seguida num sensor de temperatura corporal, que na minha opinião não tem grande credibilidade. Outra questão é Ceuta ou Tanger? Eu não posso ter uma grande opinião sobre o assunto, mas segundo o que se diz por lá a entrada por Tanger é melhor, visto que os vistos dos passaportes são feitos no barco e só é necessário o visto dos automóveis. Na próxima viagem vou fazer por ir por Tanger e confirmar isso.


Depois de todos os estarem autorizados a prosseguir avançamos em direcção a Tetouan e o que inicialmente seria de passagem acabou por ser paragem. Aqui tivemos o primeiro encontro com a típica gastronomia marroquina (cucus-cucus, pinchus, poio, salada marroquina e claro coca-cola (aberta à nossa frente de preferência)! Não está mau para começar. O Restaurante chama-se Palace Bouhlal e fica bem no interior da medida de Tetouan ao lado da herbanária do Said que visitamos e ai ficamos cerca de 1h30 a ouvir a forma entusiástica com que nos explicava cada especiaria, cada planta ou "mesinha" caseira para mil e um problemas! Foi para mim, um dos melhores momentos da viagem esta passagem pelo Herbanário.

Vai uma massagem Patrícia?


Em seguida, e sempre na companhia do "Coca-cola", alcunha de um marroquino que nos levou lá graças a ter metido conversa com o Marco quando ainda estávamos a rolar, passamos numa feira no centro da Medina para de seguida visitar uma cooperativa de tapetes berberes. Ao entrar, somos confrontados com uma escadaria pouco habitual onde os degraus são altos, e lá subimos, e subimos mais um andar até ao terraço onde podemos ter uma vista geral de Tetouan. Estava na hora de ver os tapetes e o dono estava "mortinho" para nos mostrar as inúmeras colecções. Sem exageros vimos para cima de 50 tapetes enquanto apreciamos, ou não, o chã que nos ofereceram! No fim, estava na hora de dizer qual seriam os tapetes que estaríamos interessados. O olhar foi comum entre todos, e o pensamento de "Interessados??" deve ter surgido na mente do grupo, mas, no fim houve um que a Raquel gostou e ao fim de um bom regatear lá trouxe a toalha única que aqui mostro com quase 75% desconto! É incrível como eles baixam tanto, mas eles gostam disto, seja! Bom, além do facto de já ser tarde, a vontade de nos fazer à estrada era muita e lá fomos de regresso ao parque , perdão "beco"(comigo a pensar: "O meu Td5 estará em ordem, ou já em peças") onde um segurança, desculpem "arrumador" fazia marcação cerrada, ou não, aos nossos carros e claro a umas moedas! Saímos de Tetouan com destino a Chefchaouen fazendo parte da costa mediterrânea para mais tarde entrar na estrada 3808 Oued Laou Taghzoute, onde depois de belas paisagem verdejantes, que ninguém estava a espera de ver ou pelo menos não tinha essa ideia, tivemos um problema com um dos jipes.

O Discovery 300 do Miguel, foi a baixo e não pegava. Sem duvida que foi um momento que desanimou, mas que todo o grupo superou sem grandes dificuldades. Capot aberto, e os Srs. Prof. Dr. Eng. Mecânicos que foram presença em toda a viagem, ou seja, eu, o Miguel e o Marco a olhar lá para dentro a ver o que seria. Após alguns minutos e tentativas de por o disco a trabalhar, descobrimos que o problema residia num rolamento da Polie do alternador que havia bloqueado! Nada a fazer ali, e o carro tinha que ser rebocado até uma oficina. Eis que, alguém se aproxima e nos diz "Boa noite, precisam de ajuda?" Eu pensei, o mundo é mesmo pequeno, como é possível que no meio deste nada, exista aqui um Portuga e ainda por cima Nortenho e Maiato!!! De seu nome Daniel, este nosso recente amigo teve connosco uma excepcional atitude de nos acolher no seu Auberge http://www.caiat.com/ e de nos ajudar nas conversações com o reboque, e ainda a amabilidade de falar com o seu amigo Achmed que nos esperou no dia seguinte em Tanger levando-nos a um mecânico de confiança. O final do dia, que já não restava muito, foi passado na confecção do jantar, nas negociações com a companhia de seguros, e na tentativa de animar o Miguel e a Mónica. Vá amigos ainda hoje vos digo, se fosse o meu era pior, já viram a electrónica eheheheh... Apagamos as luzes por volta das 24h30m para no dia seguinte às 7h00m estarmos a acordar. Desta forma, havia tempo para nos preparar, tomar o pequeno almoço e por voltar das 9h00m estar o reboque a bater a porta conforme combinado, mas, e como há sempre um mas, este só apareceu pelas 12h30m para desespero do casal Santos. Até lá o tempo foi passado entre a companhia do Daniel, na actualização dos Diários de Bordo ou até mesmo numa ida ao barbeiro para reclamar umas falhas no corte feito dias antes. Paciência Raquel, paciência...eheheh!

Do mal o menos, o reboque era sem duvida o melhor que vimos em toda a viagem, uma Mitsubhishi Canter das novas! A viagem até Tanger deu para perceber o tipo de condução e regras que este povo tem, ou melhor não tem. Desde ultrapassagens em curvas fechadas em estradas de montanha, à constante buzinadela, o não haver piscas, ou até mesmo limites de passageiros vale tudo, até camiões transportarem garrafas de gás em uma espécie de contentor sem que uma cinta os segure.. que medo!!!

Bom, mas lá chegamos e cerca de 1h30m depois e 40€ o Discovery 300 Tdi ganhou vida para a alegria de todos. O destino seria Chefchaouen com alojamento em parque de campismo, e pelo caminho decidimos passar mais uma noite no Auberge Caiat, que fica apenas a 20km de "Chaouen" e sempre sabemos as suas condições! Nessa noite o grupo estava sem dúvida mais animado, e isso é bom!